sexta-feira, 20 de abril de 2012

A música, o glamour e a vibe



     Que eu, órfãos da Fiction e várias outras pessoas andam descontentes com a atual cena da música eletrônica em Goiânia não é novidade. Entretanto, recentemente, uma postagem de Fabrício Roque no facebook me fez pensar em como estamos lidando com o "problema", e em como pode-se resolver ou reverter a atual situação.
     Goiânia, infelizmente, não possui o mesmo volume, nem a mesma qualidade do público que São Paulo dispõe, que pode sustentar um club "underground" por muito tempo. Porém, me fez parar para pensar e analisar alguns fatos e dados, tomando como base a única representação do "underground" disponível que é a Deep Loop.
     Pensando somente em possibilidades e considerando exemplos que deram certo em locais que até então não havia ninguém no contexto, é possível tirar boas expectativas a respeito. Tomando como base a Deep Loop, que começou em setembro de 2010, e sua primeira e modesta edição contou com Aninha e Mauro Farina, residentes do Warung e D-Edge (até então), no line-up tinham aproximadamente 200 a 300 pessoas. Já na segunda edição, a qual não estive presente, mas comenta-se que haviam entre 300 e 500 pessoas e contou com Ingrid, também residente do club paulistano D-Edge, e Alê Reis, do dueto com João Lee, Dubshape. Na terceira edição, com local novo, um video mapping insano, Diogo Accioly e China, ambos do D-Edge, no line-up, levaram a Deep Loop a outro patamar em uma festa que muito facilmente contou com um público próximo de 1000 pessoas. Na quarta edição, a festa já havia tomado proporções tão grandes que outro local precisou ser escolhido para acomodar o enorme e crescente público, e a festa que contou com Dubshape (João Lee e Alê Reis) e Lubalei (Residente do Superafter do D-Edge), provavelmente tinha um público próximo de 1200 a 1500 pessoas. E na última e mais recente edição, que contou com Gorge, proprietário dos selos Katchulli Records e 8bit records, teve um público muito provavelmente próximo das 2000 pessoas.
     O crescimento do contexto da Deep Loop é gradual e, caso fossemos representar em gráfico de público/edição, seria uma curva ascendente, provando que este segmento, o "underground", tem sido mais procurado pelo público, e as pessoas aparentemente estão começando a cansar de pagar pra ter "glamour", mas não ter música, não ter vibe. O crescimento da festa dá-se da maneira mais simples e que eu acredito ser a melhor possível: boca a boca. As primeiras 200 pessoas, gostaram tanto que chamaram outras pessoas para irem, que por sua vez, também gostaram e então levaram mais gente. Ou seja, a idéia de se divertir, num lugar com boa música, parece dar certo.
     Na verdade, isso de "glamour", provavelmente enche o saco quando a pessoa resolve sair pra uma balada, e ouvir músicas novas, diferentes, coisa que não se toca em rádios. Se uma casa, uma festa, quer ser respeitada, esta precisa vender aquilo que espera-se encontrar: música. Que aliás, pra mim, este é o propósito de uma boate, ter música na qual as pessoas vão para ouvir e dançar.
     Essa idéia de vender música, Goiânia teve dois clubs bastante respeitados no cenário nacional e internacional, que foram o  Pulse Club & Lounge e o Club Fiction. Ambos deram certo, durante um período de tempo considerável, e ambos eram muito bem frequentados até alguém resolver dizer que a moda era ir para algum lugar se divertir "com glamour". É claro que o comercial ganhou muita força por aqui. O problema foi que começaram a aparecer várias casas neste segmento, de modo que a cena se tornou somente comerical. Excessivamente comercial. E como tudo em excesso, diminui o prazo de validade, muita gente já voltou a procurar as festas e casas "underground", nas quais pudessem se divertir sem se preocupar em como estivessem vestindo, bebendo, dançando e até conversando. O que tornou a noite mais divertida que no lado mais comercial da coisa. O que nos leva e pensar: Goiânia teria espaço pra outro club assim? Teria. Mas ele não pode começar querendo ser grande, pois não temos tanto público assim, então seria preciso criar uma fidelidade com o público, e fazê-lo crescer. Contudo, demanda muito tempo, e dinheiro, mas acredito nessa possibilidade sim. Basta alguém querer, e fazer acontecer. Poderíamos ter uma espécie de D-Edge do cerrado se o trabalho for feito corretamente.
     Depois de alguns (ou vários) puxões de orelha, mesmo que minha opinião não tenha força, parece que a casa na qual eu mais falava mal por aqui, resolveu fazer o que deveria ter feito há tempos: vender música. E aparentemente pararam com a tal da "presença vip", e dos "famosos" "atacando de DJ". Continuam comerciais? Sim, claro, pois é disso que gostam e preferiram fazer, mas, vendendo música e colocando profissionais de verdade para o trabalho.
     Aliás, um exemplo muito interessante no qual as pessoas, proprietários e promoters deveriam seguir, é o D-Edge. Por quê? Porque é, com quase toda certeza, o mais importante club do Brasil, e um dos mais famosos clubs do mundo. O D-Edge completou 12 anos de existência, e quem seria o melhor pra dizer como as coisas funcionam, o que já aconteceu, como eles pensam e o que acontece por lá que os DJs, o proprietário e os promoters do club? Não custa nada seguir um exemplo que deu certo, e funciona com base na música.



     Fecho a postagem deixando este vídeo do D-Edge, para que talvez, pessoas reflitam sobre como uma balada realmente deve ser, e se atinge o sucesso, dispensando o glamour e o luxo. Baseando-se somente em música, vibe, e inovação.














quarta-feira, 28 de março de 2012

Deep Loop #6, Pacha e coisas novas






     Dado a um problema relativo a tempo disponível, cujo mesmo anda em falta devido a compromissos acadêmicos e profissionais, acabei deixando o blog um tanto quanto largado. Entretanto, digo que sempre que possível, postarei por aqui, como é o caso deste post que vai relatar e falar e de algumas coisas que aconteceram de janeiro para cá.
     Sim amigos, até que enfim a tão comentada Pacha chegou. Demorou, mas não falhou. E a filial do clube de Ibiza veio com tudo para as noites goianas. Trazendo novos nomes, e nomes já conhecidos em seu contexto musical, a Pacha Goiânia mostrou que não veio a passeio e em pouco tempo de funcionamento, trouxe grandes nomes do progressive house, em todo seu espectro, desde o um pouco mais comercial, ao mais pesado, grandes artistas e projetos muito interessantes.
     Internamente, o clube ficou muito bonito, com tudo o que há de mais moderno em termos de decoração e equipamento. Com um soundsystem de primeira, é o único clube atual da capital goiana, que remete ao tão comentado sistema DAS que o antigo Club Fiction possuía. Com uma qualidade de áudio incrível, os mais técnicos dizem que atualmente é o melhor lugar pra se tocar, tendo levado em conta seu público, o som e toda a parte técnica. Goiânia voltou a ter uma casa que realmente vende música, e a leva a sério. Como se já não bastasse a casa estar fadada ao sucesso devido ao fato de ser franquia de uma das mais famosas, se não mais famosa, franquias de boates internacionais, o Clube ainda conta com profissionais respeitados em seu casting, como o DJ residente, Alex Justino e o VJ Felipe Monteiro, além de outros nomes de peso que passam por ali constantemente como o DJ Renato Borges e André Pulse. Que continuem assim, e cada vez melhor.
   


     Sábado passado, aconteceu mais uma histórica Deep Loop. O evento que já tem tomado proporções épicas, escreveu mais um capítulo na história. Que a marca Deep Loop já é grande, todo mundo consegue perceber, que é uma marca respeitada em todo o cenário da música eletrônica também. Quando começaram a montar o line-up do evento, eu imaginava ver algum outro grande nome nacional como headliner da festa. Talvez voltassem com um ou dois residentes do D.Edge como Tuco Rosa e Lubalei, talvez residentes de outro club como o Warung, e porque não pensar em Gui Boratto como provável headliner? Seu som macio, bem elaborado e com arranjos que remetem ao deep house atendem a todas as características da festa. Mas não! Fiquei muito surpreso ao ver que o headliner da festa era nada menos que o mito do deep house, Pit Gorge Waldmann.
 


     Boom! Minha cabeça explodiu. Eu não imaginava na possibilidade de ver Gorge tocar de novo em Goiânia, muito menos em um evento como a Deep Loop, visto que vários fatores como coincidir a data da festa e sua estadia no Brasil. Por uma enorme felicidade da minha pessoa, tudo certo para que ele tocasse por aqui nessa semana.

     A festa contou com um line-up interessante, e que me agradou bastante. A ordem dos DJs era basicamente: André Pablo (Baobá Lounge Bar), Rafael Danke (Lo Kik), Alex Justino (D.Edge), Gorge (8bit), Fabrício Roque e Fábio Alienato (D.Edge). A assinatura do video mapping, mais uma vez ficou por conta do VJ Erms.
   


     Em espectro geral, INCRÍVEL. A princípio confesso que fiquei assustadíssimo com o nível do mapping feito pelo Erms. Completamente impecável e diferente de tudo que já havia tido por aqui, os visuais se tratavam de uma decomposição do logo da Deep Loop, e dispostos em diferentes planos e diferentes níveis de altura, tornou o mapping ainda mais insano ao se manter no centro da "tela", o logo da Deep Loop de modo relativamente estático, mudando somente às vezes. Simplesmente incrível. Quando eu achava que tudo já havia chegado num nível em que pouco mudaria, o Erms aparece e mostra como se deve fazer um mapping diferente e bem trabalhado.

     A respeito dos sets, música boa de cabo a rabo. Deep house mega low bpm no começo da festa eu achei demais. Warm-up que se preze de fato não pode passar de 115bpm. Entretanto, ter ouvido muita música do top 100 de deep house do Beartport, infelizmente fez o quesito pesquisa ficar devendo ao André Pablo. Som excelente, contudo, sem identidade própria. Nada que o tempo faça melhorar, até porque, ninguém já começa algo sabendo. Na seqüência, Rafael Danke assumiu a cabine e tocou exatamente como eu gosto de ouvir num set de começo de festa: grooveado, linhas de grave moderadas e extensas, percussões relativamente fortes, poucos vocais e beats lentos que não passavam de 118 ou 120bpm. Fino, simplesmente. Em seguida, Alex Justino entrou e fez o que seria a transição de um warm-up pra um headline. Macio, muito house até a metade do set, e então, depois da metade, começou a pancadaria com um deep house mais forte e creio que até tech house, de modo a entregar a pista já quente ao pequeno DJ e produtor alemão, Gorge. 

      O set do Gorge, foi um absurdo. Deep e tech house pesadíssimos, linhas de graves extensas e fortes, e 90% do set só de músicas unreleased que chegaram para serem lançadas em seus dois selos, 8bit Records (cujo sócio é o também produtor e DJ Nick Curly) e Katchuli Records (de sua propriedade). Ou seja, um set inteiramente diferente e inédito, uma vez que boa parte das tracks ninguém ainda sabe quais são. A levada da construção do set do Gorge segue o padrão de quase todos os produtores alemães, com mixagens extremamente precisas, onde mal dá pra identificar quando uma música acabou de entrar e quando outra música saiu, típico de mixagens longas, em que consome cerca dos últimos 2 minutos de cada track e o primeiro minuto da track seguinte. Simplesmente incrível. Além de tudo, como se não bastasse, Gorge é extremamente carismático e gostou bastante de ter tocado em Goiânia na primeira vez, o que deixou boas impressões pra descer o sarrafo no set desta edição da Deep Loop. Impecável. Em uma conversa com ele, ele me contou ter ficado muito impressionado com o mapping feito pelo Erms e com, até então, o som do Rafael Danke.


     Em seguida foi a vez de Fabrício Roque. Eram mais de 5 horas da manhã quando ele assumiu a cabine. Mas, infelizmente assim que o Gorge terminou seu set eu fui embora. Estava muito cansado e meus olhos ardiam por causa da fumaça de cigarro. O lugar, infelizmente não tinha exaustores o que atrapalhou um pouco eu curtir a festa como deveria. Entretanto, amigos me contaram que os sets do Fabrício e do Alienato foram incríveis, com direito a War Paint ft. Gina Mitchell (Claude VonStroke Remix), Who's Afraid Of Detroit (Claude VonStroke Remix), que não poderiam faltar em sets do Fabrício, que inclusive contou com seu live de gaita que é sempre sensacional. E o set do Alienato, como sempre, com muita novidade em termos de deep house e tech house. Ficar excessivamente cansado aos finais de semana, infelizmente, agora são meus ossos do ofício...


     De maneira geral, nota 10 pra toda a equipe Deep Loop e principalmente pelo público. Pelo público que soube ouvir música boa, música diferente e soube, como sempre, valorizar cada DJ que subiu ali, fazendo a festa toda ser incrível, tanto para os DJs e organizadores, quanto para o próprio público que se empolga mais ainda ao ver os DJs animados e felizes com cada reação que a pista tem ao tocar suas músicas. Um evento legal, não precisa cobrar os olhos da cara e colocar pessoas 'famosas', pro lugar ser bem freqüentado e festa ser boa. Só precisa de música de primeira, DJs de primeira, e um público que vai ser de primeira por pagar pra ver os caras tocando, e não estar ali pra ser 'descolado'. Então, a toda equipe da Deep Loop, meus sinceros parabéns e que venha a próxima.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Restrospectiva e perspectiva



     Ano novo, talvez vida nova. 2011 de um modo geral foi um ano médio para a música eletrônica de Goiás. Tivemos muitas coisas boas, mas também tivemos coisas ruins. Clubs ou 'clubs' trazendo 'famosos' para 'tocar', algumas casas que não conseguiram abrir no tempo pré-determinado, outras que abriram, algumas festas ruins, outras muito boas. Tivemos um crescimento considerável da cena no interior do Estado e também tiveram novas pequenas iniciativas que foram tomadas por pessoas que zelam pela qualidade da vida noturna de Goiânia.
     Do ponto de vista de música, 2011 foi um ano excelente pros produtores e DJs de Goiás, assim como 2012 que começou muito bem pra alguns desses DJs. Que se é possível citar, Alex Justino pisou num patamar bem alto no ano de 2011 e como já era de se esperar 2012 começou ainda melhor que 2011 com duas datas específicas para o DJ e produtor. Em 2011 foi o ano da primeira gig do goiano em um dos mais aclamados clubs do mundo, o D.Edge. Como se já não bastasse, em 2012, Alex Justino começou o ano tocando no D.Edge na quinta-feira (5/1/12) e logo na seqüência, no sábado dia 7/1/12, se apresentou em um dos clubs mais famosos do Brasil, o Sirena, em Maresias-SP. Para completar, juntamente com o produtor Vini Correia, Alex anunciou e publicou em seu soundcloud a track You Got The Love. Que pode ser conferida em versão prévia no http://soundcloud.com/alexjustino/yougotthelove  .
     O que se esperar para 2012? Não fazemos idéia até vermos o que tem para acontecer por aqui. O ano começou muito bem pros profissionais que residem por aqui, e se nossas festas e clubs forem tão bons quanto 2012 começou para eles, teremos noites bem animadas e com muita música boa pra se ouvir por aqui. Por falar em clubs, no fim de 2011, o então incógnito Café De La Musique deu as caras por aqui. Em seu conceito de dining music, o club foi muito bem comentado e recomendado pelas pessoas que elogiaram a qualidade da música e inclusive a qualidade da comida, apresentação dos pratos e etc.
     A Pacha, por enquanto só obras. Aparentemente já está em fase final da obra mas ainda não se sabe ao certo quando será entregue e inaugurada. Inclusive ouvi rumores de que a inauguração vai contar com a apresentação do DJ e produtor Sérvio-Australiano Dirty South. Rumores, como sempre. Espero que seja verdade.
     Em 2012 ainda não sabemos muito bem ao certo se teremos festas boas como em 2011, quando tivemos 4 edições da Deep Loop, uma festa de turnê do club catarinense Warung Beach Club e alguns outros eventos menores em cidades próximas como Anápolis. Mas, provavelmente teremos mais edições da aclamada Deep Loop, além de inaugurações de outras casas, festas promovidas por outras casas, que por sinal, as últimas duas festas das casas de "luxo" por aqui não foram muito bem comentadas por aí. A festa do Sedna, eu mesmo apontei uma série de defeitos e deficiências de um evento com sucesso potencial mas que foi jogado fora. A segunda, promovida pela Royal, ouvi tantos comentários contra a festa que nem perdi meu tempo de escrever sobre isso aqui.
     Para 2012, eu espero que as casas, promoters e até DJs façam seus melhores pelo bem da cena local, e em prol da diversão dos goianienses. Aos poucos as pessoas têm aprendido que para uma festa; um evento ser bom, só se precisa de música boa, organização e dedicação. Aos poucos as pessoas tem aprendido a curtir a noite de balada sem ostentação e aparências. Aos poucos. O que resta é continuar na fé de que isso vai melhorar em 2012 e Goiânia vai ser um ótimo lugar pra se ouvir música eletrônica de qualidade, de novo.














   

domingo, 13 de novembro de 2011

[Resenha] Deep Loop #5




     "Vamos com tudo". E fomos. Demorou, mas tá aqui. Devido a um pequeno problema com tempo sobrando não estava tendo muito tempo para o blog, mas enfim. É com imenso prazer que digo que a 5ª edição da Deep Loop foi um verdadeiro sucesso. Como eu disse, no outro post, tinha tudo para superar a edição anterior que já havia se afirmado num patamar épico, e de fato conseguiu.
     Cheguei cedo, o primeiro set que vi na noite foi o back 2 back dos meus amigos Elias Toufic (Alizzari Disco/Anápolis) & Rafael Danke (Lo Kik Records). Macio, soft, smooth. deep house, bem deep. Provavelmente não teria como definir melhor o set da dupla que não a própria definição de deep house. Tracks com vocais, ou auxílios vocais, pianos, linhas de grave que variavam no compasso de 4/4 e 8/8, percussões leves, synths macios, nada carregado, nem pesado, e com um tempero de tech house no set deu aquele diferencial que um evento como a deep loop exige. Simplesmente impecável. O set dos dois pode ser conferido na íntegra no soundcloud do Rafael Danke
     Na seqüência, Fabrício Roque começa o set dando um chute na cara da galera. Conheci o som do Fabrício no fim de 2007, e até hoje, posso afirmar que o melhor set da vida dele, foi nessa edição da Deep Loop. Bem misto entre meus gêneros favoritos que são o tech house, deep house e techno, tocou tracks, eu diria antigas mas que ainda são bem comentadas na boca do público. Em particular, achei ponto alto do set três tracks em especial, que por sinal são três tracks que eu adoro:




     Em seguida, entrou Kings Of Swingers, dueto composto por Mau Mau (D.Edge) & Renato Ratier (D.Edge). Como eu já esperava, techno e tech house. Bicuda na fuça. Pesado mas macio, Mau Mau toca no vinil, Ratier nos CDJ, cada um com seu set up, o que como é de se esperar, torna a mixagem mais difícil uma vez que precisa praticamente ser inteira feita com um ouvido no cue do fone e outro no retorno. Um dos sets de techno mais legais que eu já vi, fiquei assustado com como o Mau Mau consegue tracks tão novas em vinil, o que hoje é muito difícil de conseguir, e foi muito bem acompanhado por Ratier. Tive a leve impressão de que a pegada de tech house do set da dupla foi obra de Ratier enquanto o techno, Mau Mau. Simplesmente incrível. O públicou ficou simplesmente INSANO durante o set do dueto. Me senti no D.Edge ao ouvir o som deles. E de fato tocam de um modo remete ao club paulistano, talvez seja esse um dos vários motivos do sucesso desses dois. Uma das tracks que gerou frenesi no público foi Noir & Haze - Around (Solomun Remix), uma track relativamente lenta. Mas isso não é problema pro público Deep Loop:


    O próximo a se presentar foi Alex Justino. Mega deep house, com um tempero forte de house, o set dele não passou dos 123bpm, e mesmo assim público na vibe, mão pra cima, gritaria, loucura a insanidade. Nem com o som parado por um pequeno problema no gerador as pessoas foram embora. Todos ficaram por lá aguardando a hora de voltar e continuar a balada. Voltou, e continuou como se nada tivesse acontecido. Detalhe, quando ele começou já eram 5:30h da manhã de domingo e balada ainda estava socada! Efeito Deep Loop meus caros... O som do Alex foi mais ou menos assim:


   

     Em seguida, Junior C (3plus/SP) começou seu set, bem tech house.  E praticamente o mesmo nível que lhe rendeu tocar no Skol Beats aos 17 anos, e o mesmo nível de som que o vi na Fiction em 2008 em duas ocasioões: segundo DJ do warm-up para Gaz James (UK) e Renato Ratier (D.Edge). Cacetada. 6:40h da manhã, e a vibe ainda era a mesma do começo da noite.
     Por último, Giuliano Hopper (5uinto/DF) se apresentou. Idealizador do projeto 5uinto, que acontece nas quintas-feira em Brasília, o DJ do quadradinho como sempre mostrou que não estava de brincadeira. Eu gosto bastante do som do Hopper, inclusive é um dos meus DJs preferidos no cenário regional. Uma das coisas mais legais que o vi fazer foi justamente passar a festa quase inteira na pista, curtindo o som dos outros protagonistas, que é algo bem raro hoje em dia. Muito DJ por aí, só dá as caras na festa quando chega, toca e vai embora em seguida. Ele chegou ao evento durante o set do Fabrício, e lá ficou até finalizar seu próprio set, numa roupagem de deep house com tech house. E a vibe continuava incrível.
    Os visuais foram de responsabilidade do VJ Felipe Monteiro, que soube usar com muita sabedoria os painéis de LED sobre a cabine, atrás da cabine e logo à frente do palco. Os visuais mais abstratos, compuseram de forma muito interessante, visto que os paneis estavam separados por um espaço de mais ou menos 40cm, então as imagens, já abstratas, ficavam ainda mais diferentes e interessantes. De frente, a imagem ficava exatamente como projetadas, mas no teto, compunham como parte da iluminação geral. Os moving heads eram praticamente desnecessários. Os visuais nos painéis superiores ficaram mais ou menos assim:


    Meus caros, é assim que se faz uma festa. Eu vi a Deep Loop nascer com 200 pessoas. O que torna essa festa tão incrível é o modo como as pessoas ficam sabendo. A divulgação não é massiva, e nem é pra ser. É o tipo de festa que as pessoas não vão pelo open bar, nem pelo famoso que vai tocar, nem pelas mulheres que vão estar lá, nem para aparecer. As pessoas vão com o intuito de se divertirem, de ouvir música boa, ver gente bonita, diferente e muito bem humoradas. É um dos poucos lugares onde a balada vira madrugada adentro até o sol nascer, e não vemos brigas, nem gente indo embora cedo. O público chega e fica até acabar. O resultado é mais ou menos assim:




    Uma festa pra ser incrível, pra dar certo e se tornar algo lendário, basta ser feita com uma coisa: amor. Se você se propõe a fazer algo e colocar o coração nisso que você está fazendo, tudo está fadado a ser um sucesso. Não necessariamente vai ser fácil, mas o resultado é satisfatório. Quando Cristiano Caramaschi, Fabrício Roque, Alex Justino e Márcio Luciano se reuniram pra fazer a Deep Loop, todos fizeram a festa acontecer com muito amor, dedicação e suor. Não precisam tratar clientes como lixo, não precisam exagerar nos preços, não precisam ter 'gente importante' pra festa ser incrível. O público só precisa estar ali pra uma coisa: se divertir. Os outros 'promoters' e organizadores de eventos precisam aprender com festas como a Deep Loop de como se faz uma festa. Mais respeito com público, com a cena e com os DJs. Menos luxo, menos glamour, menos ostentação e mais música. Simples assim. Isso foi mais ou menos o que foi a Deep Loop #5




quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Deep Loop #5



     Dia 5 de novembro, a melhor festa do Centro-Oeste volta para sua 5ª edição com um line-up super conceituado e com alguns dos DJs mais respeitados na cena nacional e até internacional. Nesta edição tocarão ninguém menos que Renato Ratier e Mau Mau em um novo projeto intitulado Kings Of Swingers, Junior C. e o idealizador do 5uinto, Hopper.
     Hopper já formou uma banda na qual era guitarrista e vocalista e hoje é um dos DJs mais respeitados na cena eletrônica de Brasília. Figura presente e também idelizadora do Projeto 5quinto, Hopper também está confirmado no line up da Deep Loop. Com um estilo que permeia o house e o techno, Hopper foi eleito em 2009 como um dos melhores DJs do Brasil pela publicação especializada no assunto, HouseMag.
Como não dá para ser diferente, seu nome também já figurou lineups como do Skol Beats, Universo Paralello e BMF (Brasília Music Festival – quem não se lembra desse festival?!), além dos famosos clubs como Warung, D-Edge, Lov.e e Garage. Se apresentando junto à Booka Shade, Loco Dice, Phonique, Fatboy Slim, David Guetta entre outros nomes internacionais.
     Junior C. é nada mais, nada menos do que o DJ mais jovem a ter tocado na história do Skol Beats, e está confirmado no line up da Deep Loop #5. O DJ deverá trazer para a pista do deck do Estádio Serra Dourada muito House e techouse, mostrando para nós o que ele já exibiu em apresentações ao redor do mapa e que lhe garantiram diversos prêmios. Desde os 17 anos se apresentando na noite, Junior C é destaque na nova geração de DJs brasileiros. E sua preocupação vai além, com um home estúdio, ele passa horas estudando e também produzindo músicas. Suas inspirações? DJs como Carl Cox, Marco Carola, Murphy, Jeff Mills entre outros consagrados.
    Sem rasgação de seda? Definitivamente essa edição tem tudo pra superar a última em umas 2 ou 3 vezes. Estou profundamente ansioso pro dia 5 de novembro e ver como as coisas ficaram e como vão ser os sets dos quatro DJs principais. Isso sim, é algo que Goiânia estava precisando. Isso sim, é como se faz uma festa com VIBE, com um público legal, onde a ostentação e todas as coisas ruins que têm acontecido, perdem para o que devia ser o alicerce de toda e qualquer festa: MÚSICA. Com música boa, público bom e groove, o resultado é a verdadeira definição de VIBE. 

*Line-up:
-KINGS OF SWINGERS (D-edge Agency)
- Junior C (3 Plus)
- Alex Justino (D-edge Agency)
- Fabricio Roque (Hypno)
- Elias Toufic (Alizzari)
- Rafael Danke (Lo Kik)
- Hopper (5uinto)

*Apoio:

4:20
Body Station
Bristol
Emi
PSICODELIC
ABSURDA
Tecmidia
Trupe do Açaí
BC Painéis

*Preços:
Masculino: 50
Feminino: 30



















terça-feira, 13 de setembro de 2011

Red Bull Thre3Style 2011




     Nascida no Canadá em 2007, a batalha de DJs virou turnê mundial no ano de 2010, com etapas classificatórias locias, uma nacional, e uma mundial realizada em Paris. Neste ano, além do Brasil, outros 18 países participaram do Red Bull Thre3style. São eles: Argentina, Austrália, Bolívia, Chile, Canadá, Colômbia, Dinamarca, Estados Unidos, França, Índia, Japão, México, Nova Zelândia, Noruega, Peru, Espanha, Suíça e Reino Unido. A final de 2011 acontecerá no Canadá.
     Uma das três eliminatórias acontece em Belo Horizonte, Minas Gerais, no club Deputamadre. A segunda etapa, a final nacional, acontecerá no dia 22 de outubro em São Paulo. Nesta primeira etapa, o vencedor ganha o direito de disputar a segunda etapa, a final nacional, e um prêmio de 2 mil reais.
    


     O representante do estado de Goiás foi o DJ Renato Borges, que ano passado também participou da competição e ficou em 3º lugar. Neste ano, com um set bastante variado, faturou o 1º lugar e irá representar Goiás na final nacional. Com um set bastante mesclado, envolvendo rock, house, hiphop, drum n' bass, um electro rock meio techno como Daft Punk, rock nacional, ou seja, cumpriu totalmente os requesitos que na prática são: tocar um set de 15 minutos que misture 3 ou mais estilos musicais diferentes, e que se repitam pelo menos uma vez. Segue o vídeo da apresentação dele:


      Nesta etapa, Renato concorreu com 3 DJs de BH, Vinícius Amaral, Vitor Sobrinho e Zeu, além deles os DJs Saddam, do Rio de Janeiro, Babão, de São Paulo, C Nunez, também de São Paulo e o DJ Phabyo, também do Rio de Janeiro. Numa conversa com o Renato, ele me disse que um dos caras que ele mais temia era o Phabyo. O residente do Castelo das Pedras, um conceituadíssimo baile funk do Rio, é dono de uma técnica fora da normalidade com toca-discos e usa uma arma que é de deixar qualquer um boquiaberto: uma Akai MPC.
      Além do DJ Phabyo, os DJs de BH tinham o público do lado deles. Segundo Renato, o DJ Vinícius Amaral foi quem mais chamou sua atenção. Além dele, Zeu tem uma presença de palco incrível e o Sobrinho é residente do Deputamadre, e assim como o Robinho, o outro residente são DJs dignos de tocarem em alguma das edições da Deep Loop. Além deles, segundo Renato, C Nunez também tem uma técnica fora de série, o Saddam é um dos DJs mais importantes da cena Black carioca e o Babão até dispensa comentários: DJ da Negra Li e dono de um conhecimento absurdo no que diz respeito a black music.
      A final é dia 22 de outubro, e mesmo assim Renato não vai se acomodar, e vai treinar ainda mais pra fazer bonito na final, com a ajuda do Múcio Guimarães. O Thre3style, como dito anteriormente, avalia 4 quesitos: técnica, performance com a pista, criatividade e bom gosto musical. Considerando que o DJ Phabyo tirou o 2º lugar, ganhou também o direito de competir a final em São Paulo. Além dos outros classificados nas próximas etapas regionais, a final vai contar com a presença do atual campeão brasileiro e vice-campeão mundial Nedu Lopes.
     É óbvio que ganhar do Nedu na técnica é bem difícil, logo, por lógica, o mais sábio é tentar vencer pelos outros quesitos. Os concorrentes são barra-pesada. E o atual campeão não brinca em serviço:

    Tendo em vista o altíssimo nível dos competidores, a nós, conterrâneos e amigos, nos resta torcer pra que Renato traga o caneco nacional e mundial pra casa. É bem difícil, mas não é impossível. Vale lembrar que este é um dos eventos mais legais do cenário eletrônico como um todo. Envolve não somente DJs da black music, como DJs de house também. E o objetivo é sempre a música, a técnica, a mixagem, tocar. ISTO É DJING! Isto sim, se avalia a qualidade do DJ e não Top 100 de revistas ou enquetes em redes sociais. A coisa vai mais além que somente popularidade. Música. Antes de tudo, música. E mais música.












terça-feira, 23 de agosto de 2011

[Resenha] Festa do Sedna #4



      Este vai ser um post em que podem acontecer duas coisas: ou as pessoas podem ler e gostar, ou podem ler e odiar por não concordar com o que eu vou dizer. De um jeito ou de outro, independente do que a maioria pode achar, minha avaliação geral partiu de uma série de fatores em que a grande maioria das pessoas não se liga muito.
      De um modo geral, eu só tenho caneladas a dar em tudo no que se diz respeito a essa festa. Houveram pontos altos, coisas boas, e pontos baixos, coisas péssimas. Não vou levar em conta nada do que me aconteceu, ou com as pessoas que estavam comigo, e sim, do ponto de vista técnico, onde levo em consideração sistema de som, sets, entrosamento do público com o artista, vibe, estrutura geral, organização do evento, acesso, horários e tudo mais. Vou separar a história em capítulos, pra organizar o post.

*Sets:
     Pra começar, entendo que era uma festa potencialmente comercial. E que aquele público talvez não seja tão fan assim de músicas desconhecidas ou músicas sem vocal. Quando cheguei, ouvi um som bem interessante, quem estava tocando era o Mex, numa pegada de warm-up legal. Som bem gostoso de ouvir, relativamente lento, grooveado e tudo mais. Excelente pra um warm-up, ainda mais numa festa de uma casa com era a Sedna.
     O segundo set, era do Shark, de hiphop. Não sou nenhum expert no gênero, mas de certo modo, parecia agradar ao público. Mas do ponto de vista técnico, que dá pra avaliar, construção de set praticamente ausente, técnica ausente - não havia mixagem, que mesmo mais complicada dado o compasso quebrado, já vi o Renato Borges mandar muito bem no hiphop - e aparentemente pesquisa musical igualmente ausente. Sim, não pesquiso hiphop, mas sei ouvir hits que fizeram sucesso em 2002 e que de tanto tocar, já estourou o prazo de validade nos meus ouvidos e nos de outras pessoas. E pra um DJ de hiphop, ter tocado rock, em versões originais, incluindo Sweet Child O' Mine do Guns n' Roses, Killing in The Name do Rage Against The Machine, e alguma música que não lembro o nome do Queen, foi bem estranho. Apesar da aceitação do público, um set bem construido jamais levaria isso em conta. Tudo bem, tinha uma pessoa mandando super bem no sax, crossover bem interessante, mas não é bem por aí. De modo grosseiro, eu já ouvi muito hiphop, e hiphop bom, em sets bons. E digo: não gostei nem um pouco do som dele. Próximo por favor.
      Na seqüência, Ruben Fontes assumiu a cabine. Se o som fosse comercial ia ser ótimo, mas realmente passou dos limites com o nível da baba. Eu já vi sets de DJs que são mais comerciais, e preciso dizer que pra muita coisa não é preciso apelar pra alguns hits também já batidos de tanto tocar nas rádios do Brasil em programas "na balada". Ninguém é obrigado a tocar e gostar de conceito, mas bom senso costuma ser muito bom pra fazer um set ser legal. Eu gostei tanto, que passei o set inteiro sentado até a Aninha entrar.
     Como dito, a próxima era a já muito falada aqui, Aninha. Finalmente eu ouvi músicas que gostei de ter ouvido, de ter conhecido. Por ser mais conceito ou não, a construção dos sets dela é sempre impecável. Sempre muito harmônico e muito mixado, a tendência é que empolgue bastante o público, quando o público é bom. Quer dizer... no que diz respeito a deep house e tech house, o som dela é bem mais pesado que o conceito da casa, mas no lugar dela, eu teria feito o mesmo. Parto sempre da premissa: "meu som é esse, me contrataram pra tocar isso, e é isso que vou tocar". E ter ouvido reações de pessoas completamente mal educadas ao fim do set dela, coisas ditas de modo proposital pra fazer ela ouvir, é cretino, é escroto e é nojento. Mas o que eu podia esperar do público dessa festa?
     O próximo era a maior atração da festa Gui Boratto. Após sucessivos problemas técnicos com o equipamento dele, depois de uma conversa com a Aninha entendi o modo como o show dele é feito. Na prática, as músicas não são feitas pra serem mixadas. É como num show de rock, existem intervalos, onde os artistas trocam de instrumentos. Nesse caso era mais ou menos a mesma coisa. Haviam intervalos. Por se tratar de um audiovisual, as músicas e as imagens compõem uma história. Um não funciona sem o outro, portanto, essa é a explicação para as tão comentadas pausas entre suas músicas, que por sinal geraram infinitos rumores, que eu também rezei pra não serem verdade. Pessoalmente, admiro o Gui como um profissional excepcional. Suas músicas são muito bem produzidas, mas eu não gosto. Logo, considerando as pausas que eu não havia compreendido, com a 'vibe' e as músicas que não fazem muito meu estilo, acabei não gostando. Mas analisando as imagens e o modo como elas se relacionaram com o áudio, foi bem interessante. Mas de novo, apesar das qualidades, e tudo mais, não gostei. Talvez eu ainda não esteja apto a ouvir o som dele ainda... vai saber.
     Depois foi Renato Borges a subir na cabine. Conseguiu embalar bem a pista no conceito da festa também House de certo modo bem comercial, mas ainda assim bem legal. Mostrando que realmente não precisa apelar pra hits pra fazer um set decolar. Coisa de quem pesquisa por música sempre e não está ali pra aparecer ou o que quer que seja né? Mas a pegada não bem o que eu gosto, logo... de esperar que não fiquei muito feliz. Acho que se ele tivesse tocado hiphop teria feito uma santa diferença no âmbito geral da festa.
     Em seguida, foi a vez do residente do Green Valley, André Pulse. Apesar de ser suspeito pra falar, por gostar do som dele, eu não imaginei que fosse ouvir o que ouvi, mais uma vez dado o conceito da casa. Mas não. Um som super interessante, uma pegada de techno absurda, não muito acelerado, mas com muito grave e muito groove. Que também, foi set pelo qual, junto com o da Aninha, conseguiu pagar a festa. Uma pegada bem Dubfire, músicas que eu nunca havia ouvido antes e tudo mais. Muito legal ter visto o Pulse tocar por aqui mais uma vez. E mais uma vez me agradou bastante o som dele.
  
*Estrutura:
    Tecnicamente, uma série de erros e mais erros. Organização displiscente. Na prática a filosofia funcionou assim: "foda-se, é a última vez que usamos o nome Sedna, o negócio é ter lucro". E tiveram. Verba para um P.A. descente eu sei que o staff tinha. Mas era um som fraco, com excesso de médio e falta de grave. Dentro de 125m², o som se propagava com facilidade e com nitidez. Mas, fora dos limites da "pista", o que se via e ouvia era um som fraco, e que dada a geometria da locação, o lado esquerdo do palco (do ponto de vista da pista) ficava com o som baixo a ponto de se conseguir falar no celular com facilidade.
    Na parte visual, apesar de não impressionar tanto assim, ficou bem bonito. As treliças da estrutura geoespacial da pista tiveram, na parte superior, telões de led instalados em suas 4 faces. Então, ficou bastante interessante. No palco, mais seis painéis verticais de led, porém, faltou um outro telão grande logo atrás da mesa de equipamentos do DJ. Mas apesar da falta deste telão, a parte visual ficou bem interessante. Jogos de luzes foram criados na área edificada do espaço, além da iluminação dos camarotes que tinham uma decoração semelhante ao do próprio Sedna Lounge. Ficou legal, mas nada impressionável.
    Bares, camarotes e outras coisas do gênero não vou comentar porque este post se trata da parte de música, e da qualidade do evento do ponto de vista técnico.

*Público:
    Talvez a parte mais complicada... O que se pode dizer de um público de 8mil pessoas, em que na prática, 98% dessas pessoas não estavam dando a mínima pro que estava tocando? Ou pior, o que dizer desses mesmos 98%, como sendo pessoas extremamente mal educadas, grossas, arrogantes e prepotentes? Desde que criei este blog, é disso que critico. 8 mil pessoas, mas nenhuma vibe. O hype simplesmente não existia. Um público que estava bem mais preocupado em aparentar ser uma coisa que não são, pra outras pessoas que eles não gostam notarem. Carros importados, roupas de grife, pessoas relativamente bonitas. Mas e aí? Não adianta nada ter tudo isso, se a essência de estar ali, estar ausente. Estar num lugar pra se divertir, esquecer problemas profissionais, pessoais ou quaisquer que sejam. Se divertir no matter how, não ligando pro que pensam, pro que dizem sobre você. Não consegui ver ninguém curtindo a festa como deveria. Então, pra ficar legal, boa parte se droga e/ou bebe demais. E mais uma vez, levaram o alicerce pra boa balada pra fora da música, que é o que teoricamente, faria a festa ser legal.
     Num lugar onde o público é uma merda, os sets vão ser uma merda, e a música vai ser uma merda. E então, sem droga nenhuma, vai ser uma merda. Sem puxar saco. Deep Loop com 1/8 do público conseguiu ser inesquecível em 4 edições. Essa festa em 4 edições fez ser totalmente esquecível. A essência do que faz a balada ser legal foi totalmente jogada fora por pessoas absurdamente imbecis, com direito a plaquinha da casa concorrente nadando na galera, me fez sentir náuseas. Ter visto as pessoas como vi, mais uma vez, e ter visto como é o comportamento 'da massa' de Goiânia, me fez lembrar de algo que o saudoso poeta Fernando Pessoa, em toda sua sabedoria sempre dizia, e hoje carrego comigo, pra me tornar uma pessoa melhor, que espero do fundo do meu coração, que Goiânia inteira APRENDA: "O que vemos não é o que vemos, e sim o que somos." Talvez, se esse público, se essas pessoas, entenderem o significado dessa passagem, talvez, tenhamos um lugar com uma vida noturna mais legal. Aparência, status, não interessam, se seu conteúdo, por trás de todas as máscaras, for totalmente diferente daquilo que você tenta aparentar ser. Então pessoas, vamos começar a refletir a respeito. Porque a vida noturna de Goiânia hoje, é um lixo completo. Salvo raras excessões. Obrigado.


*Resumo geral:
     Nota pra festa? 3 ou 4 numa escala de 0 a 10. Nota pro público? 1, por alguns que souberam apreciar e ouvir o profissional que estava ali, fazendo o que mais gosta pensando NELES. Da minha parte: festa fraca, público fraco, sem vibe, sem nada. Reprovei todos os sets menos dois: Aninha e Pulse, por terem tocado o que eu gosto, com profissionalismo, técnica e mostraram bom conhecimento quanto ao mercado. Quando voltei pra casa, tive a sensação de ter sido só um sonho ruim. Antes fosse. Na real, perda de tempo, dinheiro e paciência. Menos glamour, menos luxo, menos (falsa) ostentação e mais música por favor. Obrigado.